
Olá, eu sou neuropsicanalista e ajudo pessoas no seu processo de cura interior e autoconhecimento. Adoro música, teatro, filmes e livros.
O luto é uma das experiências mais universais e, ao mesmo tempo, mais pessoais que existem. Ele nos visita em diferentes momentos da vida, seja pela perda de um ente querido, o fim de um relacionamento, a mudança de uma fase ou até mesmo a perda de um sonho. Mas, apesar de ser inevitável, o luto ainda é um tema cercado de tabus e desconhecimento. Como lidar com ele? Quais são suas fases? E, principalmente, como transformar a dor em um caminho de cura?
O luto não é apenas uma emoção, mas um processo complexo que envolve corpo, mente e espírito. Ele é a resposta natural à perda, uma forma de o psiquismo assimilar que algo ou alguém importante não está mais presente. E, embora muitas vezes seja associado à morte, o luto pode surgir em qualquer situação que implique uma ruptura significativa.
A psicologia e a neurociência mostram que o luto ativa áreas específicas do cérebro, como o córtex cingulado anterior (ligado à dor emocional) e a amígdala (relacionada ao processamento de emoções intensas). Isso explica por que a dor da perda pode ser tão avassaladora e, ao mesmo tempo, tão difícil de expressar em palavras.
A psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross foi uma das pioneiras no estudo do luto, propondo um modelo que descreve cinco fases. É importante ressaltar que essas fases não são lineares – cada pessoa vivencia o luto de maneira única, podendo alternar entre elas ou até mesmo reviver certos estágios.
Negação
No início, é comum sentir um choque ou incredulidade. A negação funciona como um mecanismo de defesa, amortecendo o impacto da perda. É como se a mente dissesse: “Isso não pode estar acontecendo.”
Raiva
À medida que a realidade da perda se impõe, a raiva pode surgir. Ela pode ser direcionada a si mesmo, a outras pessoas, a Deus ou até mesmo à pessoa que partiu. É uma fase difícil, mas natural, pois a raiva é uma forma de externalizar a dor.
Barganha
Nessa fase, é comum tentar “negociar” com a realidade. Pensamentos como “Se eu tivesse feito isso diferente…” ou “Se eu pudesse ter mais um pouco de tempo…” são frequentes. A barganha reflete o desejo de recuperar o controle em uma situação que parece insuportável.
Depressão
Aqui, a dor da perda se instala de forma mais profunda. A tristeza, o vazio e a falta de sentido podem dominar o cotidiano. É importante entender que essa depressão não é patológica, mas uma parte necessária do processo de luto.
Aceitação
A aceitação não significa esquecer ou superar a perda, mas encontrar uma forma de conviver com ela. É o momento em que a dor começa a se transformar em memória afetiva, e a vida volta a ganhar novos significados.
Lidar com o luto não é uma tarefa fácil, mas existem caminhos que podem ajudar a atravessar essa jornada de forma mais saudável:
Permita-se Sentir
Não tente suprimir ou ignorar suas emoções. Chorar, sentir raiva ou tristeza são reações naturais e necessárias. O luto precisa ser vivido, não evitado.
Busque apoio
Compartilhar sua dor com amigos, familiares ou grupos de apoio pode ser reconfortante. Você não precisa passar por isso sozinho.
Cuide de si mesmo
O luto pode ser exaustivo física e emocionalmente. Tente manter uma rotina saudável, com alimentação balanceada, exercícios físicos e momentos de descanso.
Expressar-se
Escrever, pintar, fazer música ou qualquer outra forma de expressão criativa pode ajudar a processar emoções que parecem indizíveis.
Respeite seu tempo
Não há um prazo para o luto. Cada pessoa tem seu ritmo, e comparar sua dor com a dos outros só aumenta o sofrimento. Permita-se o tempo que for necessário.
Considere ajuda profissional
Se o luto se tornar paralisante ou prolongado, buscar a ajuda de um psicólogo ou terapeuta pode ser fundamental. A terapia oferece um espaço seguro para elaborar a perda e encontrar novos significados.
Embora o luto seja doloroso, ele também pode ser um caminho de transformação. Ao enfrentar a perda, temos a oportunidade de revisitar nossas prioridades, fortalecer nossos vínculos e descobrir uma nova forma de estar no mundo. Como dizia o poeta Kahlil Gibran: “A tristeza esculpe profundamente o seu ser, para que possa conter mais alegria.”
E você, como tem vivido suas experiências de luto? Compartilhe suas reflexões ou dúvidas nos comentários. Estamos juntos nessa jornada de cura e autoconhecimento. 💛






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Ter com quem contar em uma dor emocional, vai muito além da vontade de ajudar. É preciso muito amor sim, mas a capacidade técnica de conduzir as emoções e facilitar o entendimento de si mesmo, é o que realmente importa na jornada do autoconhecimento.
Este post tem 2 comentários
Ótimo artigo!
Muito obrigado querido! Adorei saber que gostou. Grande abraço Allex!